Motivo da discussão:
Qual a melhor conduta terapêutica para um paciente HIV+ com PTI?
Jovem de 25 anos com diagnóstico sorológico de HIV recente.
CD4 muito baixo (92 céls/mm3), carga viral ainda não disponível, assim como os demais exames de rotina.
Relatando que o diagnóstico de PTI foi feito em 2011 , e estava muito assustado por que foi falado que ele não pode tomar qualquer remédio sob risco de complicações pela PTI.
Fazendo revisão rápida vi que a PTI pode ser pelo HIV, mas gostaria de saber de outras experiências, pois não acompanhei pacientes com essa manifestação até hoje.
Aguardo outros exames e acrescento que ele tem exame físico sem alterações e está assintomático.
domingo, 11 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Caso 70- homem, 45 anos, falha virológica, elevado grau de resistência
Motivo da discussão:
1- Paciente com elevado grau de resistência a ARV, em falha em esquema contendo RAL. Que exames seriam importantes neste momento para compor um esquema de resgate?
2- Se houver falha com RAL e/ou T20, que drogas poderia pensar em usar para compor um novo esquema?
2- Se houver falha com RAL e/ou T20, que drogas poderia pensar em usar para compor um novo esquema?
45 anos, masc , em 1998 descobriu ser HIV com quadro de Pneumocistose e tuberculose. Tinha na ocasião : CD4= 61/mm3, CV
64.000 cp/ml. Foi medicado com RIP C/AZT+DDI e posteriormente:
10/1998 D4T+ 3TC+ NFV
07/1999 CD4= 456/mm3, CV= 19.000 cp/ml
08/2001 D4T +DDI + NFV
08/01/2002 AZT+ DDI+ SQV/r
09/2002 CD4=406/mm3 CV 120.000 cp/ml
08/2002 CD4 310/mm3 (18%)
CV 890.000 cp/ml
09/2002 Apresentou quadro de histoplasmose disseminada
08/2004 DDI+ 3TC+ ATV/r
2005 CV 95.000 cp/ml
2006 genotipagem com resistência a vários antiretrovirais
04/2006 CD4 149/mm3
11/2006 Permanecia com AZT+ 3TC+ LPV/r enquanto aguardava DRV e T-20 na justiça
02/2007 CD4 182 /mm3cv 22. 351 cp/ml
03/2007 Reativação da histoplasmose, depressão e tuberculose disseminada (AZT+3TC+ LPV/r dose ajustada para RIP)
D4T+3TC+ LPV/r ( pancitopenia com AZT) durante
hospitalização
Alta CD4 314/mm3 CV 22350 cp/ml medicado com TDF + 3TC +
LPV/r
Nunca atingiu supressão viral
02/10/2007 CD4 343/mm3 CV 660 cp/ml
03/2008 Genotipagem em uso de D4T+ 3TC+ TDF+ LPV/r
09/2008 AZT 3TC TDF EFV(S) DRV/r (I)
06/2009 Fenovirtual: sensibilidade
TDF (I) T20 (S) , resistência DRV (R).
Aguardava RAL e apresentou
elevação de TGP e TGO( itraconazol/ esteatose hepatica?), tem PCR negativo para
HCV
Teste de tropismo = vírus R5.
07/2009 TDF+ 3TC+ T20+ DRV/r+ RAL
07/2009 CD4 328 /mm3 e
CV indetectável pela primeira vez
08/2009 TDF+ 3TC+ T20+ DRV/r+ RAL (no 30° dia faltou RAL na farmácia,) passou para→
TDF +3TC-
Apresentou Sind de
Fanconi(?)
TARV alterada para Biovir e DRV/r , TGP= 153
TDF+ 3TC+ T20+ DRV/r+ RAL
TARV alterada para Biovir e DRV/r , TGP= 153
TDF+ 3TC+ T20+ DRV/r+ RAL
06/2011 CD4 531/mm3 CV 814 cp/ml Engordou 20 kgs
03/2012 CD4 618 /mm3 CV 1714 cp/ml
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Caso 69- Mulher, 21 anos, falha virológica, elevado grau de resistência, 19 células CD4
Motivo da discussão:
1- Que esquema de resgate poderia ser proposto para a paciente?
2- O que poderia ser feito para melhorar a adesão ao TARV?
Paciente, 21 anos, HIV por transmissão vertical.
Acompanhava na pediatria até os 18 anos.
Em 2008 fazia uso de 3TC+d4T+EFV+LPV/r. Não dispomos dos tratamentos prévios.
Em 12/2009 foi trocado esquema para 3TC+ABC+TDF+ATV/r quando foi transferida da pediatria para a Infectologia.
Uso irregular da medicação, tendo ficado grávida e por não uso correto a criança foi infectada pelo HIV.
Várias internações por diarréia sendo isolado Cicloesospora belli.
Em genotipagem realizada em 2010 apresentou:
Codons relacionados aos ITRN e ITRNN: M41L, K70E, V75I/M, K101P, K103N, M184V, H208Y, T215F
Códons relacionados aos IP: I15V, L19I, M36I
Foi prescrito: 3TC+TDF+FSP/r
Não apresentou indetecção da carga viral.
Refere que no momento faz uso regular.
Último CD4 = 19 celulas e CV = 185.662 cópias.
Feito nova genotipagem que mostrou:
Mutações Associadas ao ITRN: 41L 75M 184V 208Y 211K 214F 215F
Mutações Associadas ao ITRNN: 101P 103N
Outros Polimorfismos na Transcriptase Reversa: 39A 122K 123E 135V 162A/S 169D 173A 174K 200A 202V/I 207E 228H/R 245Q
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Caso 68- Casal discordante, paciente índice com CD4 acima de 600 cél/mm3
Motivo da discussão:
- 1- Está indicado tratamento ARV precoce? No caso de indicar TARV, que esquema proporia?
- 2- O que devemos considerar ao tomar esta decisão? Prós e contras.
- 3- Está indicado PrEP para o parceiro HIV neg?
- 4- O que devemos considerar ao tomar esta decisão: Prós e contras.
Casos:
Ela:
Primeira consulta em
24/05/12
27 anos, tem
atividade sexual desde os 13 anos. Um parceiro fixo há 4 anos.
Informava
hipertensão arterial na última gestação.
Ex
usuária de maconha, cocaína, craque. Etilista durante mais de 5 anos, até há 4
anos atrás. Atualmente bebe no final de semana 1 garrafa e meia de cerveja.
Tabagista de 20 cigarros/dia desde os 13 anos de idade.
Gesta
3 para 2. Um parto prematuro há 10 anos atrás (aos 17 anos de idade) - nasceu
com 6 meses e ficou vivo por 3 meses. Último parto há 5 anos atrás.
.
Até há
5 anos atrás era anti HIV neg - fez pré-natal.
Primeiro
anti HIV+ out/2011
Bx
ganglionar: linfoadenopatia por HIV
PPD reator forte, em profilaxia para TB desde 03/12
Ao exame: PA 160x100. Peso: 81,3 IMC 31,76
Gengiva e dentes em nal estado de conservação, com inúmeras
cáries.
Medicada com Losartana
Trouxe
exames de 18/01/12 CD4 991- 39,21% CD8 998 - 39,49% CD4/CD8 0,99
HBsAg neg Anti
HBs neg VDRL neg Anti HBc neg
Anti
HCV neg
Só
voltou a consulta em 16/10/12. Iniciou,
mas não aderiu ao uso do anti-hipertensivo. Informou que lhe causava cefaleia.
PA: 160x120
Trouxe
exames de 26/06/12 RT-PCR HIV 42347 cp/ml (4,63log) CD4 618- 34,3% CD8 784- 43,5% VDRL
neg Perfil lipídico, G, HBAlc- normais
TC de tórax- compatível com enfisema pulmonar.
Medicada com Enalapril 20-20.
Ele:
Primeira consulta em 24/05/12
33 anos, hipertenso desde 2001.
Tabagista
de 10 a 15 cigarros/dia desde os 26 anos. Bedidas: cerveja final de semana.
Cachaça 1 dose 2 a 3 vezes/semana.
Drogas:
maconha durante 3 anos- há 5 meses não fuma, crack durante 1 ano- não usa há 5 nos.
Atv.
Sexual: tem atividade sexual desde os 16 anos. Cerca de 50 parceiras nos últimos 10 anos. A pareceira
atual é anti HIV+.
Sexo
desprotegido
Exame
físico: PA 220x120. Restante sem anormalidades.
29/11/11
Anti HIV neg- teste rápido
26/06/12 Ecocardiograma - HVE concêntrica
leve.
Medicado com Losartana 50-50 + Amlopipino
5 mg
Volta a consulta em 16/10/12 Uso
irregular do antihipertensivo. PA
220x150. Apesar da orientação para fazer sexo protegido informou ainda
ter mantido relação sexual desprotegida.
06/08/12 Col 185 HDL 27
LDL 111 Tg 234
HBsAg neg Anti HBc +
Anti HBs + Anti HCV neg VDRL neg
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Caso 67- Masculino, 43 anos, falha terapêutica precoce
Motivo da discussão
1- Que
razões podemos pensar em casos de falha precoce de TARV?
2- Que
medidas tomar?
Caso:
Masculino, 43 anos, etilista crônico , usuário de cocaína inalatória.
Em exame de rotina em jan/12 anti HIV+
Exame físico sem anormalidades, exceto por H.A. leve (140x90mmHg)
Eutrófico. Peso 79 kg.
Trouxe exames de Jan/12-
Ht 43,7% Hb 14,7 Leuc 3120
0/0/0/0/1/46/33/20
Plaq 107000
Tg 141 Col
226 LDL 149 HDL 49
G 82
TGO 488 TGP 522 GGT 644
BT 1,2 BD 0,6
Amilase 82 Lipase 56
VDRL neg
Retornou a consulta um mês após. Relatava redução do consumo de
álcool,
PPD- não reator
CD4 206- 20% CD8 823-79%
CV 449040cp/ml (5,65log)
US de abdome: pâncreas discretamente heterogêneo. Restante normal.
TGO 82 TGP 116
Medicado com TDF + 3TC + EFV
Três meses após o início da TARV
CD4 213- 23m5% CD8 492-
54,4% CD4/CD8 0,43
CV 185779 cp/ml (5,27log)
Foi solicitada genotipagem. O que esperar?
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Caso 66- masculino, 43 anos, falha imunológica em supressão virológica
Motivo da discussão:
1. A que atribuir a queda de CD4 após
anos de recuperação imunológica?
2. Que medidas terapêuticas poderiam ser
tomadas com o objetivo de tentar aumentar o CD4?
Masculino,
43 anos, anti-HIV reator em JUL/1999, com critérios laboratoriais de SIDA já
por ocasião do diagnóstico (CD4+ 69 cél/mm³ em NOV/1999). Anti-HIV não reator
realizado em FEV/1999, quando apresentou Herpes Zoster. Nunca apresentou
nenhuma doença definidora de SIDA.
Histórico de TARV:
·
15/DEZ/99:
AZT + ddI + NVP à Início de TARV, com CD4+ 69/mm³ e CV
360.000 cp/ml; apresentou apenas uma CV < 80 cp/ml em MAI/00, seguida de 490
cp/ml em NOV/00 e 5.400 cp/ml em ABR/01.
·
05/JUL/01:
d4T + 3TC + NFV à Troca por falha virológica (CD4+
200/mm³ e CV 5.400 cp/ml); evoluiu com ótima resposta virológica após a troca
do esquema, mantendo CV < limite mínimo desde então. As trocas subsequentes
no esquema ARV se deram apenas por motivo de redução na toxicidade.
·
24/JUN/05:
AZT/3TC + NFV à Paciente apresentando dislipidemia
mista. Exames por ocasião da troca mostrando CD4+ 545/mm³ e CV < 80 cp/ml.
Exames anteriores mostrando:
Data
|
CD4/CD8
|
CV cp/ml
|
Esquema ARV em uso/Observações
|
17/4/01
|
200 / 1086
|
5.400
|
Vinha em uso de AZT + ddI + NVP
desde DEZ/99 à Trocado para d4T + 3TC + NFV em
05/JUL/01.
|
06/11/01
|
311 / 1308
|
1.200
|
d4T + 3TC + NFV
|
28/5/02
|
449 / 2000
|
-
|
d4T + 3TC + NFV
|
17/9/02
|
373 / 1722
|
< 80
|
d4T + 3TC + NFV
|
25/6/03
|
430 / 1422
|
-
|
d4T + 3TC + NFV
|
22/9/03
|
525 / 2000
|
< 80
|
d4T + 3TC + NFV
|
10/2/04
|
487 / 1759
|
< 80
|
d4T + 3TC + NFV
|
08/6/04
|
610 / 1452
|
< 80
|
d4T + 3TC + NFV
|
20/9/04
|
575 / 1728
|
< 80
|
d4T + 3TC + NFV
|
16/5/05
|
545 / 1454
|
< 80
|
d4T + 3TC + NFV à Esquema trocado para AZT/3TC + NFV
em 24/JUN/05, por conta de dislipidemia mista.
|
A partir de JUN/05, quando o d4T foi
substituído pelo AZT no esquema, o paciente começou a apresentar uma queda
significativa na contagem de células CD4+. O Hemograma nunca mostrou sinais de
toxicidade medular pelo AZT, com leucograma sempre na faixa de normalidade
(4.000 – 10.000 leucócitos/mm³) e com percentual de linfócitos sempre acima de
30%.
Data
|
CD4 / CD8
|
CV cp/ml
|
TARV
|
Leucograma e % Linfócitos
|
05/09/05
|
426 /
|
< 80
|
AZT/3TC/NFV
|
8.680/mm³ - 28% linfo (2.430/mm³)
|
06/12/05
|
223
|
230
|
AZT/3TC/NFV
|
7.680/mm³ - 36% linfo (2.764/mm³)
|
20/02/06
|
193
|
< 80
|
AZT/3TC/NFV
|
5.680/mm³ - 39% linfo (2.215/mm³)
|
18/04/06
|
142
|
< 80
|
AZT/3TC/NFV
|
6.940/mm³ - 39% linfo (2.706/mm³)
|
20/DEZ/07: TDF + 3TC + ATV-r à CD4+ 132 (6.9%) e CV < 400
cp/ml em OUT/07, pouco antes da troca de AZT por TDF. O paciente vem em
uso deste esquema desde então, mas nenhuma melhora na contagem de células
CD4+ foi observada. Por conta disso, teve de retornar o uso de SMZ-TMP
profilático (3x/semana). Seus últimos exames de 06/SET/12 mostraram
leucometria global de 7.400/mm³ (23% linfócitos – 1.702/mm³); CD4+ 129
cél/mm³ (7.6%) e CV < 40 cp/ml.
Este é um caso interessante, pois
apesar do paciente já apresentar um dano imunológico significativo por ocasião
de seu diagnóstico (CD4+ 69 cél/mm³ em 1999), ele ainda possuía uma ‘reserva
histológica’ satisfatória, posto que após o início de TARV, seu CD4 chegou a
610 cél/mm³ em 2004. O problema todo, coincidentemente ou não, começou após a troca
do d4T por AZT no esquema, quando então o CD4 começou a despencar. Mais curioso
ainda foi o fato dos hemogramas seriados não mostrarem nenhum sinal de
toxicidade medular em nenhuma das 3 linhagens sanguíneas (eritrócitos,
leucócitos e plaquetas), o que poderia explicar uma possível mielotoxicidade
pelo AZT, o que não foi o caso.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Caso 65- feminina, 52 anos, falha virológica
Motivo da discussão:
1- Como interpretar os resultados de
Genotipagem para N(t)RTI, NNRTI e IP quanto ao melhor esquema de resgate, com
base nas diferentes interpretações dos principais algoritmos utilizados
(RENAGENO x STANFORD);
2- Discutir as possíveis interações
entre NNRTI e IP e RAL e IP.
Caso Clínico:
Suponha
que você seja um Médico de Referência em Genotipagem (MRG) e tenha recebido um
resultado de uma paciente do sexo feminino com 52 anos de idade, anti-HIV+
desde 1999 (sem resultado de nadir de CD4+ ou detalhes da história médica).
Histórico
de TARV:
- Jul/1999 a Mar/2003: AZT + ddI à
mantendo CV elevada
- Mar/2003 a 2007: AZT + ddI +
NFV
- 2007: AZT/3TC + TDF + LPV/r à
Esquema Atual
Último CD4+: 504/mm³ (24.7%);
Penúltimo: 401/mm³ (21.2%)
Última CV: 9.006 cp/ml (3.75
log); CV imediatamente anterior ao esquema atual: 8.398 cp/ml (3.92 log); CV
mais baixa durante o esquema ARV atual: 132 cp/ml (2.12 log)
Não
há dados quanto ao uso de medicações concomitantes (anti-hipertensivos,
hipoglicemiantes, hipolipemiantes etc).
Como
você orientaria o esquema ARV de resgate desta paciente? Considerando que sua
CV atual é a mesma da pré-tratamento com o esquema vigente (possibilidade da
paciente não estar tomando os ARV), você acha que neste momento valeria apenas
reforçar e acompanhar a adesão, sem alterar a TARV em uso? Por quê?
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